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Oficina Cultural Oswald de Andrade recebe a instalação Pai dos Burros, de Teresa Berlinck e Julio de Paula, a partir de 20 de agosto
20 de Julho de 2016

Com curadoria de Maria Catarina Duncan, obra imersiva revisita dicionário clássico do folclore brasileiro em desenhos e peça sonora

Quais formas a cultura tradicional ganha na contemporaneidade? Como se transmite, hoje, esse conhecimento? Que lugar ocupam, no caldo atual de cultura e informação, os usos e costumes que constituem o que chamamos de folclore? Fundada nestas indagações, a instalação Pai dos Burros, dos artistas Teresa Berlinck e Julio de Paula, reúne 400 desenhos e uma peça sonora que revisitam e recriam o Dicionário do Folclore Brasileiro, de Luís da Câmara Cascudo, contrapondo-o à memória contemporânea e à Internet. A obra estará exposta a partir de 20 de agosto na Oficina Cultural Oswald de Andrade, com curadoria de Maria Catarina Duncan.

Uma expressão popular brasileira que designa dicionário serve de título a Pai dos Burros, que resulta de uma pesquisa iniciada em 2013, com base no Dicionário do Folclore Brasileiro. Referência até hoje, a obra publicada pelo historiador, advogado e etnólogo potiguar Câmara Cascudo em 1954 compila práticas culturais tradicionais de todo o país, de usos a lendas, superstições, indumentárias, comidas, bebidas, crenças, estilos musicais e danças, entre outras. Interlocutor de Mário de Andrade e um dos principais intelectuais de seu tempo, Cascudo era um erudito “sem erudições”. Dizia que somos agentes e reagentes, portadores e intérpretes de culturas sobrepostas.

Trilhando caminhos paralelos, os autores de Pai dos Burros se propõem a revisitar e “atualizar” verbetes do Dicionário. Os 400 desenhos de Teresa Berlinck têm como suporte às páginas de uma edição de 1962 da obra, completa e desmontada. Pesquisando no Google Imagens os verbetes destacados no alto de cada página do Dicionário, a artista encontra e seleciona as imagens que servem de base aos desenhos, feitos de observação, em tinta nanquim, a pincel e bico de pena, sobre as folhas soltas. Vinda de experimentos anteriores que usam o livro como suporte, encontra na Internet tradições brasileiras que seguem vivas e pulsantes; mas também tira partido das sobreposições e enganos sintomáticos de um momento de transição das formas de acesso e arquivamento da cultura e da memória.

A peça sonora multifônica em 10 canais criada por Julio de Paula tem base em verbetes escolhidos do Dicionário, e a intenção de (re)traduzir para a linguagem sonora um repertório oriundo da tradição oral. Composta por cerca de 50 fragmentos poético-musicais, ela articula entrevistas e depoimentos, ruídos, trechos musicais e paisagens sonoras extraídos de gravações de campo, sessões com músicos convidados e acervos históricos. Falas de Câmara Cascudo, o canto de uma esmoleira de Juazeiro do Norte e o som de uma vereda gravada nas Gerais estão entre os múltiplos fragmentos usados pelo artista, que estuda a cultura popular desde os anos 1990.

Pai dos Burros se completa na justaposição das páginas-desenhos e da peça sonora no espaço expositivo, que potencializa associações entre referências de texto, imagens e sonoridades, iluminando as reinterpretações da obra de Câmara Cascudo. Além de questionar as formas de percepção da cultura tradicional brasileira e os sentidos e significados do que é tido como folclore, a obra toca em temas como originalidade, autoria e apropriação, ao articular relações com livros, arquivos de referência, memórias individuais e informações acumuladas na rede.

“A cultura popular está nas formas de um povo sentir, viver, comer, falar; por isso é assunto múltiplo, sujeito a transformações e em constante negociação”, diz a curadora Maria Catarina Duncan. “Ao se debruçarem sobre o Dicionário do Folclore Brasileiro, Teresa Berlinck e Júlio de Paula embarcam em um exercício de re-significar e desdobrar mitos, deuses, comidas, músicas, expressões, utensílios e superstições pertencentes ao imaginário do povo brasileiro. Através do desenho e do som, vemos e escutamos cada palavra com vida em Pai dos Burros.” 

 

 

TERESA BERLINCK

www.teresaberlinck.com.br

 Artista visual, trabalha com sistemas de referência, desordenando narrativas e construindo associações entre memória e história. Transita entre desenho, escultura, instalação, livro e performance. Suas exposições recentes incluem Biblioteca ilustrada, sábado e domingo, Galeria d. Concept (São Paulo, 2015); Residência Pivô Pesquisa, São Paulo (2014); e18º Festival de Arte Contemporânea Sesc_Videobrasil, Sesc Pompeia (São Paulo, 2013). Graduada em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado - FAAP, São Paulo (1999), tem mestrado em Produção, Teoria e Crítica em Artes Visuais pela Faculdade Santa Marcelina - FASM, São Paulo (2006).

JULIO DE PAULA

Tem o meio sonoro como forma de expressão e experimentação. Trabalha com mecanismos de documentação, em especial da cultura tradicional. Radioartista, se interessa pelo registro e deslocamento de paisagens sonoras latino-americanas. É diretor de programas na Rádio Cultura FM (São Paulo), onde desenvolveu a série Veredas (2001 a 2012), premiada pela 6ª Bienal Internacional de Rádio do México (2006). Sua produção recente inclui o documentário sonoroMetzontla, Los Reyes (México/Brasil, 2013) e as peçasEl Sur es el Norte e É Preciso ter Lugar, comissionadas pela Kunstradio - Radiokunst (Áustria) e o festival Tsonami Arte Sonoro (Chile), respectivamente, em 2015.

PAI DOS BURROS – Teresa Berlinck e Julio de Paula

DATA: 20 de agosto a 8 de outubro de 2016
LOCAL: Oficina Cultural Oswald de Andrade
Rua Três Rios, 363, Bom Retiro, São Paulo
Tel.: (11) 3222 2662 / 3221 4704
HORÁRIO da GALERIA: Segunda a sexta das 9h às 21h e sábados das 13h às 20h

Ficha técnica

Curadoria – Maria Catarina Duncan
Arquitetura – Marcus Vinícius Santos
Espacialização sonora – Felipe Julian e Julio de Paula
Edição de texto – Teté Martinho
Design gráfico – Rafael Simões

Link para imagens:
https://drive.google.com/folderview?id=0B07q1i2T1Uozc2l4cm5HU0czMEE&usp=sharing

 Legenda imagens:
Teresa Berlinck. Pai dos burros, 2012-16
Nanquim sobre página de livro. 27,5 cm x 37,5 cm

Links para fragmentos da peça sonora: 

Horas
https://soundcloud.com/paidosburros/horas

Folclore
https://soundcloud.com/paidosburros/folclore

Chave
https://soundcloud.com/paidosburros/chave

Sertão
soundcloud.com/paidosburros/sertao

 

Contatos

Teresa Berlinck
Tel. (11) 3662 5564
teresaberlinck@gmail.com

Julio de Paula
Tel. (11) 98266 7365
depaula.julio@gmail.com

Maria Catarina Duncan
Tel. (11) 98485-9930
catarinaduncan@gmail.com

Ludovicus - Instituto Câmara Cascudo

Avenida Câmara Cascudo, 377 - Cidade Alta - Natal/RN

CEP: 59.025-280

(84) 3222-3293    

Visitação

O Instituto está aberto ao público de terça a sexta-feira, das 10h às 16h. A Bilheteria fecha às 15h30.

Preço do Ingresso: R$ 5,00 - Estudantes com carteira pagam meia-entrada.

Escolas da rede pública e projetos sociais são isentos do pagamento.

Professores da escola particular acompanhando grupos de alunos são isentos do pagamento.

O ingresso só pode ser pago em dinheiro, não havendo venda antecipada de ingresso.