Cascudo - Biblioteca Virtual

Poesias
  • Tem um rio e tem o mar.
    Cinemas. Autos.
    Sal de Macau. Algodão do Seridó.
    Cera de carnaúba. Couros.
    Açúcar de quatro vales largos e verdes.
    O pneu amassa o chão vermelho
    dos comboios lerdos, langues, lindos.
    Poetas.
    Morros, areias, orós, mangues,
    siris e aratus grudados nas pedras.
    Centros operários.
    Cidade pintada de sol
    com uma alegria de domingo.
    À noite, pesca de aratu com facho,
    nas praias longes de Areia Preta.
    Cajueiros. Coqueiros. Mongubeiras.
    Bailes do Natal-Club.
    Luar impassivelmente romântico.
    Serenatas.
    Bó-nito! Grog à frio.
    Magestic, Anaximandro, Cova da Onça.
    Bonds. Auto-Omnibus subindo.
    Pregões.
    Por cima das casas, zunzeiam, ronronantes e zonzos,
    motores roncando no caminho sem rastos dos aviões.

    Fonte: Revista de Antropofagia: reedição da revista literária publicada em São Paulo, 1ª e 2ª “Dentições” – 1928/1929.
                     São Paulo: Cia Lithographica Ypiranga, 1976.

                     CD Brouhaha - Câmara Cascudo Poeta e leitor de poesia.
                     Natal: Projeto Nação Potiguar, Mapeamento Sonoro do RN – No. 15, 2005.

  • Poema Walt Whitman
    Tradução Câmara Cascudo

    Eu ouço a América cantar! Ouço os variados cantos,
    Os dos mecânicos, cada um cantando como se fosse jovial e forte!
    O carpinteiro cantando e medindo vigas e pranchas!
    O marceneiro começando ou findando sua tarefa, e cantando.
    O barqueiro cantando o que lhe pertence no barco, o estivador cantando
    Na coberta das barcas!...
    O sapateiro cantando, sentado no seu banco, e o chapeleiro, cantando de pé.
    A cantiga do lenhador, a do lavrador no seu caminho matinal!
    Na pausa do meio-dia ou ao entardecer...
    A deliciosa canção das mães, ou das moças trabalhando, os das meninas,
    Costurando ou lavando...
    Cada um cantando o que é seu, o que é alheio ou de ninguém!
    O dia pertence ao dia – À noite a reunião dos jovens companheiros,
    Fortes, afetuosamente.
    Cantando a plenos pulmões sua ardente canção melodiosa!

    Fonte: Três Poemas de Walt Whitman. Cascudo, Luís da Câmara.
                     Recife: Imprensa Oficial, Coleção Concórdia, 1957. CD Brouhaha - Câmara Cascudo Poeta e leitor de poesia.
                     Natal: Projeto Nação Potiguar, Mapeamento Sonoro do RN – No. 15, 2005.

  • Poema Walt Whitman
    Tradução Câmara Cascudo

    E agora, senhores,
    Eu deixo uma palavra para conservardes na memória e no pensamento,
    Como fundamento e base de todas as metafísicas.
    (Assim é para os estudantes o velho professor, encerrando o rigoroso curso)
    Tendo estudado os novos e velhos sistemas gregos e germânicos.
    Estudando e examinando Kant, Schelling e Hegel,
    Estudando a ciência de Platão e de Sócrates, maior que Platão;
    E mais que Sócrates pesquisou e fixou, longamente estudou o Cristo Divino.
    Vejo hoje as lembranças dos sistemas gregos e germânicos,
    Vejo todas as filosofias, vejo Igrejas Cristãs e dogmas,
    Ainda abaixo de Sócrates vejo claramente, e abaixo do divino Cristo vejo
    O devotamento do Homem pelo seu Companheiro, atração do amigo pelo amigo.
    Do fiel marido pela esposa, dos filhos pelos pais,
    Da cidade pela cidade, da terra pela terra!

    Fonte: Três Poemas de Walt Whitman. Cascudo, Luís da Câmara.
                     Recife: Imprensa Oficial, Coleção Concórdia, 1957.

  • Poema Walt Whitman
    Tradução Câmara Cascudo

    Venham! Farei o Continente indissolúvel,
    Farei a mais esplêndida raça que o sol já alumiou!
    Farei as terras divinas e magnéticas,
    Com o amor dos companheiros,
    Com o permanente amor dos companheiros!
    Plantarei a fraternidade como árvores ao longo dos rios d’América!
    Ao longo das praias dos grandes lagos, e sobre todas as campinas!
    Farei as Cidades inseparáveis, com seus braços enlaçados!
    Com o amor dos companheiros!
    Com o nobre amor dos companheiros!
    Por ti! Para servir-te, tudo isto vem de mim, ó Democracia!
    Ó minha esposa!
    Por ti, por ti eu canto esta canção!...

    Fonte: Três Poemas de Walt Whitman. Cascudo, Luís da Câmara.
                     Recife: Imprensa Oficial, Coleção Concórdia, 1957.

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